Numa manhã de sábado, enquanto faço café, de repente penso: onde vou estar daqui a três anos?
Sem pânico nem nada. Só aquele jeito de todo dia acumular sem a gente saber direito.
Abri um caderno e descrevi o meu dia daqui a três anos. Que hora acordo, qual a luz do quarto, o que tem em cima da mesa, quem tá por perto, que palavras a gente fala.
Terminei de escrever, levantei — e aquele quarto familiar que vejo todo dia se virou como uma foto velha.

